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Treinamento - Igreja Presbiteriana de Novo Campos Elísios

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Aula 7 Perícopes III

 

EXEGESE

ANÁLISE TEXTUAL – DELIMITAÇÃO DE PERÍCOPES (III)

 

 

  1. 3.Elementos que aparecem ao longo do texto[1]

Neste último grupo, destacamos elementos que não marcam início ou fim de perícope, mas imprimem certo ritmo e dinâmica ao texto. Podem aparecer simultaneamente no início e no fim da perícope, ou mesmo ao longo do seu desenvolvimento:

  1. a.Ação

Normalmente constituída por início, meio e fim, a ação é o núcleo de qualquer narrativa. Novas indicações de tempo, espaço e personagens, geralmente são completadas com o início de uma nova ação (“Pois o próprio Herodes tinha dado ordens para que prendessem João, o amarrassem e o colocassem na prisão, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão, com a qual se casara”. Mc 6.17).

  1. b.Grupo Semântico

Grupos de palavras cujos significados estão de alguma forma relacionados, normalmente por terem uma referência comum (tema, ideia, ambiente). Numa perícope, pode funcionar como pano de fundo para o relato ou o argumento, mesmo que não seja utilizado explicitamente. Um exemplo de grupo semântico encontra-se em Gênesis 22.6-10: “Abraão pegou a lenha para o holocausto e a colocou nos ombros de seu filho Isaque, e ele mesmo levou as brasas para o fogo, e a faca. E caminhando os dois juntos, Isaque disse a seu pai Abraão: ‘Meu pai!’ ‘Sim, meu filho’, respondeu Abraão. Isaque perguntou: ‘As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto?’ Respondeu Abraão: ‘Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho’. E os dois continuaram a caminhar juntos. Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha. Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha. Então estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho”.

 

 

  1. c.Intercalação

Às vezes, uma ação iniciada pode ser interrompida para ser retomada mais a frente. Em decorrência, temos um episódio dentro do episódio, como se fosse um “sanduíche”. Marcos usa esse elemento em 3.20-35:

  1. a.Jesus, multidão e familiares (3.20-21)
  2. b.Jesus e religiosos (3.22-30)
  3. a.
  4. d.Inclusão

Uma palavra, frase ou conceito presente no início da perícope reaparece no fim e funciona como “enquadramento”, que delimita e encerra tudo o que ficou “incluído” entre elas. O Salmo 8 é um bom exemplo de inclusão:

SENHOR, Senhor nosso,

como é majestoso o teu nome em toda a terra!”(v. 1)

 

SENHOR, Senhor nosso,

como é majestoso o teu nome em toda a terra!”(v.9)

 

  1. e.Quiasmo

A

É quando uma sequência de palavras, frases ou ideias reaparecem em forma invertida, como acontece em Isaías 6.10:

Torne insensível o coração deste povo;

B

torne surdos os seus ouvidos

C

e feche os seus olhos

B

Que eles não vejam com os olhos,

A

não ouçam com os ouvidos,

e não entendam com o coração,

para que não se convertam

e sejam curados”.

Perícopes inteiras podem estar agrupadas em forma quiástica (e.g. Marcos 11.12-26: [a – 11.12-14] figueira; [b – 11.15-19] templo; [c – 11.20-26] figueira), assim como blocos: 1Cor 12 – 14, onde o centro é 1Cor 13. Na maioria das vezes o centro do quiasmo encontra-se como elemento sem correspondente e isso pode apontar para a importância que tal o elemento tem na perícope (cf. exemplos acima). Porém, há outro uso quiástico que assinala a reversão da situação inicial. Nesse caso o que importa não é o que está no centro, mas a mudança ocorrida. O elemento central é apenas o fator que provoca ou explica tal mudança, como ocorre em Lucas 19.1-10:

A’ – Jesus entra em Jericó (v. 1)

B’ – Zaqueu é rico por causa de sua desonestidade (v. 2)

CENTRO

C’ – Jesus fala com Zaqueu (v. 5)

D’ – Reação do povo: pecador (v. 7)

C’’ – Zaqueu fala com Jesus (v. 8a)

IMPORTÂNCIA

B’’ – Zaqueu se arrepende da desonestidade (v. 8b)

A’’ – Jesus entrou em Jericó para “buscar e salvar o perdido” (v. 9-10)   

 

            EXERCÍCIO II: Analise, aponte e defenda os critérios que indicam o fim da perícope do texto de Marcos 5.21-43. Onde termina a perícope? Por quê?

            A perícope termina em 5.43 pelos seguintes critérios:

  1. i.Espaço: Jesus saiu dali e foi para a sua cidade [...]” (6.1a).
  2. ii.Ação ou função do tipo partida: Jesus saiu dali [...]” (6.1a).
  3. iii.Comentário: Ele deu ordens expressas para que não dissessem nada a ninguém e mandou que dessem a ela alguma coisa para comer (5.43).

  

EXERCÍCIO III: Por que o texto de 5.25-34 faz parte da perícope?

Pelos seguintes elementos que aparecem ao longo do texto:[2]

  1. i.Grupo semântico:
    1. a.“Salva” (23), “curada” (28) e “salvou” (34);
    2. b.“Fé” (34) e “crê” (36);
    3. c.“Doze anos” (25 e 42). 
  2. ii.Intercalação: Menina (5.21-24) – mulher (5.25-34) – menina (5.35-43).

 

 

 

 

 

 

MARCOS 5.21-43

Tendo Jesus voltado no barco, para o outro lado, afluiu para ele grande multidão; e ele estava junto do mar. Eis que se chegou a ele um dos principais da sinagoga, chamado Jairo, e, vendo-o, prostrou-se a seus pés  e insistentemente lhe suplicou: Minha filhinha está à morte; vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá.  Jesus foi com ele. Grande multidão o seguia, comprimindo-o. Aconteceu que certa mulher, que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia e muito padecera à mão de vários médicos, tendo despendido tudo quanto possuía, sem, contudo, nada aproveitar, antes, pelo contrário, indo a pior, tendo ouvido a fama de Jesus, vindo por trás dele, por entre a multidão, tocou-lhe a veste. Porque, dizia: Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada. E logo se lhe estancou a hemorragia, e sentiu no corpo estar curada do seu flagelo. Jesus, reconhecendo imediatamente que dele saíra poder, virando-se no meio da multidão, perguntou: Quem me tocou nas vestes? Responderam-lhe seus discípulos: Vês que a multidão te aperta e dizes: Quem me tocou? Ele, porém, olhava ao redor para ver quem fizera isto. Então, a mulher, atemorizada e tremendo, cônscia do que nela se operara, veio, prostrou-se diante dele e declarou-lhe toda a verdade. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal. Falava ele ainda, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, a quem disseram: Tua filha já morreu; por que ainda incomodas o Mestre? Mas Jesus, sem acudir a tais palavras, disse ao chefe da sinagoga: Não temas, crê somente. Contudo, não permitiu que alguém o acompanhasse, senão Pedro e os irmãos Tiago e João. Chegando à casa do chefe da sinagoga, viu Jesus o alvoroço, os que choravam e os que pranteavam muito. Ao entrar, lhes disse: Por que estais em alvoroço e chorais? A criança não está morta, mas dorme. E riam-se dele. Tendo ele, porém, mandado sair a todos, tomou o pai e a mãe da criança e os que vieram com ele e entrou onde ela estava. Tomando-a pela mão, disse: Talitá cumi!, que quer dizer: Menina, eu te mando, levanta-te! Imediatamente, a menina se levantou e pôs-se a andar; pois tinha doze anos. Então, ficaram todos sobremaneira admirados. Mas Jesus ordenou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e mandou que dessem de comer à menina.

 



[1] Todos os elementos aqui apresentados estão em: SILVA, Cássio Murilo Dias da. Metodologia de exegese bíblica. São Paulo: Paulinas, 2000, pp. 74-75.

[2] Texto abaixo.